Longevidade Saudável
CONSENSOS DO COLÉGIO BRASILEIRO DE MEDICINA ANTI-ENVELHECIMENTO E LONGEVIDADE
Consenso #6 Reposição de Cortisol na Fadiga Adrenal
Após criteriosa revisão da literatura científica, discussões com médicos representantes de todos os continentes e discussões entre médicos brasileiros, todos profissionais versados e adequadamente qualificados em utilizar e prescrever hormônios em seres humanos com a finalidade primária de promoção da saúde e, ainda, em total consonância com os preceitos e guidelines da International Hormone Society, da World Society of Anti-Aging Medicine, da American Academy of Anti-Aging Medicine, do American Board of Anti-Aging e da European Society of Anti-Aging Medicine nós, médicos membros do grupo de consenso do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade e do Grupo Longevidade Saudável, concluímos ter chegado o momento de reconsiderar os conceitos atualmente vigentes acerca do tratamento da deficiência adrenal, em particular a deficiência de cortisol, não apenas nas pessoas afetadas por severas deficiências, mas também nos portadores de fadiga adrenal crônica.
Nós concordamos plenamente e aprovamos o consenso mundial que foi atingido no que concerne ao tratamento com glicocorticóides para adultos portadores de severa deficiência de cortisol. Geralmente, naquela condição, existe uma deficiência total ou quase total da produção de cortisol, que ocorre por conta de remoção total ou parcial ou inativação total ou parcial das glândulas adrenais, as estruturas responsáveis pela produção de cortisol.
Acreditamos que a quantidade de evidências existentes na atualidade demonstrando os efeitos benéficos do cortisol, bem como os seus eventuais efeitos adversos é suficiente para promover a extensão da recomendação da reposição de cortisol também para os portadores da condição clínica conhecida como fadiga adrenal crônica.
Entre os quadros de deficiência de cortisol deve também ser incluído a forma que incide ao longo do processo do envelhecimento, ocasionada pela progressiva deterioração do eixo hipofisário-adrenal.
A evidência é de que o cortisol é essencial não só para os portadores de estados de severa depleção, como também para a manutenção do equilíbrio físico e mental dos adultos que estão envelhecendo e declinando a sua capacidade de produção. Uma quantidade adequada de cortisol é essencial para o normal funcionamento de uma multiplicidade de órgãos e sistemas: cérebro, pele, articulações, músculos, trato digestório, sistemas imunológico e cardiovascular. A deficiência de cortisol encontra-se clinicamente relacionada com fadiga, baixa tolerância ao estresse, confusão mental e comprometimento da qualidade de vida. O tratamento com glicocorticóides tem se mostrado capaz de melhorar a qualidade de vida, humor e status mental dos pacientes. Conseqüências adversas da deficiência de cortisol variam desde potenciação dos efeitos debilitantes de doenças inflamatórias ( artrite reumatóide, gastrenterite, colite, desordens imunológicas e alergias ), até o aumento da mortalidade em condições de alto risco como o choque séptico. Os estados de deficiência leve de cortisol podem, igualmente, causar mais repercussões danosas à saúde humana do que se imaginava antes.
Como a suplementação de cortisol e de outros glicocorticóides tem sido associada com importantes efeitos adversos, dentre os quais: imunossupressão, osteoporose, ganho de peso, atrofia cutânea, hipertensão, supressão adrenal e fácies cushingóide, nós recomendamos aos médicos que a reposição de cortisol deva ser pautada pela observância de guidelines de segurança. Acreditamos firmemente que os efeitos colaterais são conseqüentes ao uso de doses excessivas, bem como pelo fato de que a reposição de cortisol não pode ocorrer na ausência da correção dos desequilíbrios nos níveis de hormônios anabólicos (pausas humanas ), principalmente a queda dos níveis de DHEA. A presença de níveis fisiológicos de hormônios anabólicos pode bloquear os efeitos catabólicos da presença de doses excessivas de glicocorticóides. Em vários casos de deficiência de cortisol, reposição de derivados sintéticos produz efeitos clínicos muito menos efetivos do que a reposição do cortisol na sua forma bioidêntica.
Em termos de diagnóstico laboratorial, pode-se lançar mão das dosagens séricas de cortisol total matinal, cortisol livre, transcortina (CBG= cortisol binding globulin), ACTH, bem como dosagens dos 17-hidroxiesteróides em urina de 24 horas, pela técnica de cromatografia a gás.
O tratamento de reposição com cortisol nas formas leves pode ser feito com doses diárias variando de 15 a 30 mg de hidrocortisona para mulheres e 20 a 40 mg de hidrocortisona para os homens. Em casos mais severos, as doses recomendadas podem sofrer um acréscimo de até 30%.
Lembramos que os homens necessitam de doses maiores porque fisiologicamente secretam quantidades diárias cerca de 50% maiores do que as mulheres. Apenas 50 % da dose diária administrada é absorvida pelo trato gastrintestinal. Em situações de agravamento das condições de estresse, como: infecções, procedimentos cirúrgicos e abalo emocional intenso, recomendamos que as doses sejam temporariamente aumentadas.
Importante lembrar que a reposição com cortisol pode agravar deficiências já existentes na produção dos hormônios tireoidianos e DHEA. Desta forma, recomendamos aos médicos corrigirem concomitantemente aquelas deficiências.
CONCLUSÃO DO CONSENSO:
Com base na literatura científica atual, inexistem quaisquer justificativas plausíveis que contra-indiquem ou desestimulem o tratamento de reposição com cortisol em adultos com baixos níveis. Efeitos colaterais adversos podem ser evitados seguindo-se os guidelines já propostos, bem como utilizando-se doses fisiológicas da forma bioidêntica do cortisol. Novamente ressaltamos a capital importância da correção concomitante de outras deficiências na produção de hormônios anabólicos, particularmente DHEA e o hormônio tireoidiano. Monitorar os pacientes através de um programa regular de acompanhamento clínico-laboratorial.
Veja outros Consensos:
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- Consenso #2: Reposição Hormonal na Andropausa
- Consenso #3: Reposição Hormonal na Somatopausa
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