Longevidade Saudável

CONSENSOS DO COLÉGIO BRASILEIRO DE MEDICINA ANTI-ENVELHECIMENTO E LONGEVIDADE

Consenso #5 Reposição Hormonal na Adrenopausa

Após criteriosa revisão da literatura científica, discussões com médicos representantes de todos os continentes e discussões entre médicos brasileiros, todos profissionais versados e adequadamente qualificados em utilizar e prescrever hormônios em seres humanos com a finalidade primária de promoção da saúde e, ainda, em total consonância com os preceitos e guidelines da International Hormone Society, da World Society of Anti-Aging Medicine, da American Academy of Anti-Aging Medicine, do American Board of Anti-Aging e da European Society of Anti-Aging Medicine nós, médicos membros do grupo de consenso do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade e do Grupo Longevidade Saudável, concluímos ter chegado o momento de considerar a deficiência de dehidroepiandrosterona, bem como a sua reposição.

Até o presente momento, as sociedades médicas convencionais relacionadas à endocrinologia, ainda não reconheceram a necessidade e a importância clínica de tratar e repor a deficiência adrenal de dehidroepiandrosterona (DHEA). Algumas poucas sociedades médicas convencionais ao redor do mundo, tem expressado de forma pontual e tímida a importância da reposição de DHEA. Em geral, se identifica a conclusão de que ainda não existe base de dados suficiente que dê suporte à reposição deste hormônio. Eles são da opinião de que a literatura cientifica sobre o DHEA ainda é muito escassa e sua eficácia clínica ainda não está suficientemente comprovada.. Eles, igualmente, expressam a preocupação de que a reposição de DHEA poderia estar relacionada a uma maior incidência do câncer genital e a uma redução do HDL – colesterol.

Após uma cuidadosa e exaustiva revisão da literatura cientifica atual, bem como ler e discutir os relatórios negativos institucionais, concluímos não existir qualquer base de dados científica razoável que dê suporte à idéia de que o uso de DHEA possa trazer qualquer risco à saúde humana.

Nós reconhecemos e corroboramos um grande número de estudos aonde homens e mulheres com deficiência de DHEA tem sido tratados e tem apresentado significativa melhora em múltiplos aspectos físicos e mentais.

Ao nos detalharmos com estudos que demonstram efeitos “pouco significativos” no tratamento com DHEA é possível observar que uma falha de desenho importante é freqüentemente perceptível: o tempo excessivamente curto em que estas pessoas tem passado recebendo o hormônio, períodos inferiores a duas semanas, em boa parte das vezes, tempo notoriamente insuficiente para que resultados consistentes sejam alcançados.

Ao lado de uma minoria de estudos que demonstram resultados negativos ou não significativos, existe um grande número de estudos que atesta de maneira inquestionável a importância e, mais ainda, uma multivariedade de  benefícios oriundos da reposição com DHEA. Além do mais, estes estudos não só confirmam a eficácia como chegam à conclusão que a reposição de DHEA, o mais abundante hormônio esteróide produzido no corpo humano, é uma das formas de reposição mais seguras e eficientes que existem. Estudos randomizados, placebo-controle e duplo-cego, confirmam inexistirem quaisquer efeitos danosos à saúde humana, quando níveis fisiológicos de DHEA são suplementados. Efeitos colaterais porventura existentes, encontram-se completamente vinculados ao emprego de doses excessivas. Os sinais mais característicos de doses excessivas de DHEA são: pele oleosa, acne e leve hirsutismo, efeitos reversíveis através do devido ajustes nas dosagens.

Em muitos estudos que analisam a reposição de DHEA, significativos benefícios foram obtidos no ganho de massa óssea, qualidade da pele, sistema imunológico, sensibilidade à glicose, sensibilidade à insulina e perfil lipídico. Benefícios também foram evidenciados na performance mental e emocional, qualidade de vida, fadiga, depressão, redução do risco cardiovascular, diabetes e obesidade.

É a opinião deste grupo que os seguintes argumentos dão suporte e justificam plenamente o tratamento de reposição com DHEA em adultos com baixos níveis séricos:

  • DHEA é um hormônio natural aos seres humanos, está plenamente configurado para atender às nossas demandas metabólicas, e, na verdade, é o  hormônio presente em maior quantidade no corpo humano.
  • DHEA exerce mais de 150 funções anabólicas no metabolismo humano.
  • Apresenta uma multiplicidade de benefícios quando usando em indivíduos adultos que apresentam baixos níveis, sendo uma valiosa ferramenta no combate às doenças relacionadas ao envelhecimento.
  • Reposição de DHEA é segura.
  • Reposição de DHEA tem um custo acessível.

Com o intuito de elevar a segurança do tratamento de reposição com DHEA, nós recomendamos que os médicos submetam seus clientes a um programa de avaliações periódicas, incluindo anamnese, exame físico e exames laboratoriais complementares a cada 3 a 12 meses, dependendo das necessidades individuais de cada um. Entendemos ser igualmente relevante promover uma rotina de avaliações clínico-laboratoriais para o câncer de próstata e mama, obedecendo a um intervalo de seis a 12 meses, dependendo de cada caso.

Na nossa experiência, os melhores métodos para o diagnóstico da deficiência de DHEA são a avaliação sérica dos níveis do sulfato de dehidroepiandrosterona e a avaliação da excreção dos metabólitos 17-cetoesteróides-DHEA em urina de 24 horas, pela técnica de cromatografia a gás.

As doses de segurança na reposição de DHEA são as chamadas doses fisiológicas, entre 20 a 100 mg/dia para os homens e 5 a 50 mg/dia para as mulheres.

Ressaltamos que nos casos em que é clinicamente relevante evitar a conversão de DHEA para Testosterona ou Estradiol, pode-se lançar mão da reposição de 7-Keto-DHEA, principal metabólito ativo do DHEA, que possui exatamente as mesmas propriedades do DHEA, porém, não sofre conversão para outros hormônios. Neste caso, as doses preconizadas podem chegar a 50 mg/dia para as mulheres e 100 mg/dia para os homens.

CONCLUSÃO DO CONSENSO:

Com base na literatura científica atual, inexistem quaisquer justificativas plausíveis que contra-indiquem ou desestimulem o tratamento de reposição de DHEA em adultos com baixos níveis, exceto para as mulheres que encontram-se na pós-menopausa e não estão fazendo a reposição hormonal da menopausa. Ao contrário, benefícios em quantidade e intensidade suficientes já tem sido demonstrados e servem como base para nos permitir recomendar o uso de doses fisiológicas de DHEA para corrigir as deficiências bem estabelecidas e previamente diagnosticadas em adultos, submetendo-os, daí por diante, a um programa regular de acompanhamento clínico-laboratorial. A reposição de DHEA encontra-se especialmente justificada em indivíduos portadores de condições de saúde tratadas com corticóides, uma vez que o seu uso pode neutralizar com segurança os efeitos catabólicos excessivos da corticoterapia.

 

 

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