Longevidade Saudável

CONSENSOS DO COLÉGIO BRASILEIRO DE MEDICINA ANTI-ENVELHECIMENTO E LONGEVIDADE

Consenso #3 Reposição Hormonal na Somatopausa

Após criteriosa revisão da literatura científica, discussões com médicos representantes de todos os continentes e discussões entre médicos brasileiros, todos profissionais versados e adequadamente qualificados em utilizar e prescrever hormônios em seres humanos com a finalidade primária de promoção da saúde e, ainda, em total consonância com os preceitos e guidelines da International Hormone Society, da World Society of Anti-Aging Medicine, da American Academy of Anti-Aging Medicine, do American Board of Anti-Aging e da European Society of Anti-Aging Medicine nós, médicos membros do grupo de consenso do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade e do Grupo Longevidade Saudável, concluímos haver chegado o momento de considerar a reposição com o hormônio do crescimento humano recombinante não só em adultos portadores de patologias que impeçam ou dificultem a sua produção, como nos adultos que estão envelhecendo e decaindo a sua capacidade inata de síntese endógena.

Nós concordamos e aprovamos os consensos já estabelecidos e consagrados em muitos países, que aconselham a reposição com o hormônio do crescimento humano recombinante em adultos portadores de patologias que impeçam ou dificultem a sua produção. Nestas situações, existe história pregressa de remoção, trauma, radiação, tumores ou severa inativação da hipófise, fatos que impedem a produção endógena do hormônio do crescimento.

Pensamos já haver na literatura científica atual uma base suficiente de dados que demonstram e confirmam os múltiplos benefícios e segurança do uso clínico do hormônio do crescimento. Desta forma, tornou-se uma necessidade médica estendermos a indicação de reposição também aos adultos que estão envelhecendo e decaindo a sua capacidade inata de síntese endógena, por conta da progressiva redução funcional, conseqüente ao processo de envelhecimento.

A evidência é de que o hormônio do crescimento é essencial não apenas para o crescimento de crianças, mas também essencial para a saúde física e mental de adultos, particularmente na manutenção da integridade dos sistemas muscular, adiposo, ósseo, imunológico e cardiovascular. A deficiência do hormônio do crescimento é freqüentemente acompanhada de fadiga, ansiedade e depressão, além de um progressivo e cumulativo comprometimento da qualidade de vida. Por outro lado, a reposição com o hormônio do crescimento nestes casos tem demonstrado ser capaz de promover a parada e, por muitas vezes reversão da progressão de todos aqueles processos.

A falta da reposição do hormônio do crescimento nos adultos que estão envelhecendo e decaindo a sua capacidade inata de síntese endógena, ao contrário do que se imagina, pode trazer conseqüências verdadeiramente desastrosas. Aumento considerável da velocidade de deposição da placa ateromatosa, aumento das taxas de mortalidade cardiovascular, deterioração da composição corporal através da perda de massa muscular e concomitante aumento da deposição de gordura corporal total e gordura intra-abdominal, fragilidade imunológica, perda de massa óssea, depressão, distúrbios progressivos do sono e redução da síntese de proteínas são, dentre outros, alguns dos fenômenos que se sucedem ao declínio da capacidade de manutenção da síntese de níveis fisiológicos do hormônio do crescimento, e que são parcial ou totalmente reversíveis através da reposição do mesmo.
Nós recomendamos aos médicos submeterem os clientes em uso do hormônio do crescimento a um regime de avaliações regular e aprazado. Isto inclui: anamnese, exame físico e exames laboratoriais complementares obedecendo a um intervalo de um a doze meses, dependendo da necessidade individual de cada cliente.

Em relação a um eventual aumento no risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer com o uso do hormônio do crescimento, os estudos mais sérios e respeitados realizados em pacientes que receberam o hormônio, comparados ao grupo controle de indivíduos não-tratados, mostram uma clara redução de aproximadamente 50% na incidência de câncer e na mortalidade por câncer no grupo de indivíduos que receberam o hormônio. Na realidade, inexiste qualquer argumento consistente ou fundamentação razoável para se acreditar que repor o hormônio do crescimento possa elevar o risco de câncer.

De qualquer forma, uma pesquisa de rotina a cada seis a 12 meses para o câncer de próstata e mama, complementadas por ultrassom e mamografia quando necessário constitui conduta essencial, segundo este grupo de consenso. Além do mais, nós também recomendamos que o tratamento de reposição seja programado de modo a se respeitar as doses fisiológicas preconizadas, que se situam dentro do intervalo de 0.05 a 0.40 mg por dia. Em casos clínicos muito específicos e pontuais, como, por exemplo, os grandes obesos e indivíduos com grande superfície corporal, pode-se atingir uma dose de 0.60 mg por dia, que deverá ser mantida por período de tempo nunca superior a 90 dias.

Doses acima destes limites são consideradas anti-fisiológicas, extrapolam os limites de segurança, podem provocar efeitos adversos e fogem totalmente ao escopo deste protocolo de consenso.

Desta forma e seguindo estes princípios, o médico estará assegurando não só a eficácia como a segurança do tratamento.

CONCLUSÃO DO CONSENSO:

Na atualidade inexiste qualquer base científica de dados que contra-indique a reposição do hormônio do crescimento humano recombinante em adultos que estão envelhecendo e decaindo a sua capacidade inata de síntese endógena. Ao contrário, uma multiplicidade de sinais, sintomas e problemas adversos e deletérios à saúde humana tem sido abundantemente reportada em indivíduos portadores de níveis endógenos infra-fisiológicos do hormônio do crescimento, bem como tem sido fartamente reportada melhora, desaparecimento ou mesmo reversão dos problemas aludidos ao se promover a adequada reposição do mesmo.

Ressaltamos, mais uma vez, a importância de se observar as doses fisiológicas do hormônio, bem como a realização de avaliações clínico-laboratoriais periódicas.

 

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