Advertências em rótulos causam mudança de comportamento e consumo de alimentos

Advertências em rótulos causam mudança de comportamento e consumo de alimentos

30 maio Advertências em rótulos causam mudança de comportamento e consumo de alimentos

Estudo elaborado pela Universidade do Chile mostra que a regulação mudou as percepções, atitudes e comportamentos em relação a padrões alimentares mais saudáveis

Os rótulos de alimentos (processados e ultraprocessados) tem a função de informar a composição nutricional e os ingredientes que foram utilizados na elaboração do produto, para que você saiba exatamente o que está comprando e se oferece riscos à sua saúde. No Brasil, é a Anvisa o órgão que controla esses produtos.

Segundo a resolução da Anvisa (RDC nº 26/2015), os rótulos deverão destacar a presença ou risco da presença de dezessete substâncias: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas), crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite de todos os mamíferos, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha do Pará, macadâmia, nozes, pecã, pistaches, pinoli, castanhas, além de látex natural. Em 2017 foram definidas regras para declaração obrigatória da presença de lactose nos rótulos dos alimentos pela RDC n. 136/2017, com intuito de garantir que os portadores de intolerância à lactose tivessem acesso a informações sobre a presença deste açúcar nos alimentos.

A Anvisa vem avaliando a modificação para modelos de rotulagem frontal, que viriam à frente da embalagem, buscando padrões utilizados em vários países, mas principalmente, no Reino Unido e no Chile. No Reino Unido é usado um sistema de semáforo nutricional, enquanto o Chile adota o modelo de advertências. Em junho de 2016, o Chile implementou um conjunto de regulamentações para combater a epidemia de obesidade. Principalmente direcionada para crianças. Entre essas determinações está o uso obrigatório de advertências na frente da embalagem de alimentos/bebidas: ricos em energia, açúcares, gorduras saturadas e sódio. Estes alimentos também não podem ser vendidos e oferecidos em escolas e creches, e não podem ser promovidos a crianças menores de 14 anos.

Estudo elaborado em 2017 pela Universidade do Chile, em parceria com Universidade Diego Portales (Chile) e a Universidade da Carolina no Norte (Estados Unidos), com mães de crianças entre 2 a 14 anos, examinou a compreensão, percepções e comportamentos das mães após um ano da implementação das novas regulamentações dos rótulos, utilizando uma abordagem qualitativa. As mães declararam que as crianças pequenas aceitaram as mudanças no ambiente escolar enquanto os adolescentes / pré-adolescentes resistiam mais a elas. As escolas promoveram grande mudança de comportamento alimentar pela proibição da venda dos produtos. As mães declararam que perceberam que a regulação estava mudando as percepções, atitudes e comportamentos em relação a padrões alimentares mais saudáveis. As crianças e as mães entenderam que os produtos com mais advertências são escolhas menos saudáveis. Muitas também afirmaram que usam os octógonos como um guia de compras e para descobrir os falsos saudáveis, como iogurtes e barras de cereal.

 

Existem algumas propostas para aprimorar os rótulos brasileiros, para ficar mais clara as informações, por exemplo a proposta do Idec, (instituto brasileiro de defesa do consumidor), que consiste em um triângulo preto, com bordas arredondadas, em fundo branco e um texto de fácil compreensão. A advertência deverá ser apresentada na parte da frente das embalagens de alimentos processados e ultraprocessados para indicar a presença de grandes quantidades de açúcares, gorduras totais, gorduras saturadas e sódio. O produto que contiver qualquer quantidade de adoçante e/ou gordura trans também receberá triângulos de advertência.

Em 2014 foi criado por um grupo de famílias, o movimento põe no Rótulo. Mobilizaram-se para garantir rótulos que atendam à legislação de defesa do consumidor, viabilizando o exercício do direito humano à alimentação adequada. Principal objetivo é informar a sociedade a importância da clareza da presença de alergênicos nos rótulos e pressionar o governo e a ANVISA, a adequar rótulos dos alimentos e bebidas.

No Brasil, a obesidade infantil também cresce, é preciso uma ação conjunta da população, escolas, órgãos de controle governamentais e da industria alimentícia. Rótulos que tenham mais clareza trazem mais seletividade no momento da compra do produto.

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